23 de dez. de 2011

NATAL - FESTA DA VIDA NOVA!


A Paróquia Nossa Senhora da Conceição, Cidade de Cabrobó-PE, realizou nesta sexta-feira, 23 de dezembro de 2011, a Grande Celebração de encerramento dos encontros do Natal em Família 2011.
Em diferentes lugares, comunidades, grupos e pastorais estiveram realizando os encontros preparatórios da celebração do Natal do Senhor, seguindo o que nos propõe a Igreja no Brasil, por meio de subsídios adequados para estes encontros natalinos. Nossa paróquia, realizou de 14 a 22 de dezembro de 2011, seus encontros, nas famílias dos bairros, nos grupos e pastorais, a exemplo do ECC – Encontro de Casais com Cristo – que esteve realizando nos seus círculos, a pedido do padre Izidorio Alencar.
Um outro modo de realização dos encontros natalinos, foi o seguido no bairro Beira Rio, onde moram inúmeras famílias, na sua maioria pobres, e tem grande número de crianças. Ali estiveram se encontrando, durante este tempo grupos de famílias do bairro auxiliados por membros da Pastoral da Criança, Renovação Carismática Católica e, outros grupos mais. Estes grupos contaram com a preciosa colaboração da Irmã Alice.
Por fim, dia 23 às 19h30, todos estes grupos e famílias estiveram juntos fazendo a sua celebração de encerramento. Destaque foi a presença e participação das crianças; foi um momento de fé e evangelização de todos os presentes, porém, foi também um momento de confraternização de todos participantes.
O padre Izidorio, presidiu a celebração de encerramento e falou às crianças, numa catequese sobre o Natal, Jesus Cristo e vida de fé. Perguntando o que as crianças queriam celebrar neste Natal, elas responderam: celebrar “o nascimento de Jesus” e o que elas queria pedir, responderam: saúde, paz, amor, esperança de viver”.
 Terminada a parte celebrativa, propriamente dita, tivemos partilha do lanche e distribuição de brinquedos para as crianças. Eram muitos brindes, mais de duzentos (200,00) itens a serem distribuídos. A irmã Isabel e equipe, responsabilizaram-se por esta parte, preparando carinhosamente uma pescaria, em que cada criança pescava, tirando o seu brinquedo. Grande foi a emoção de um menino que ganhou uma bicicleta, esta criança chorava e tremia de alegria!
Segundo o costume, os encontros de Natal têm o gesto concreto, assim os grupos arrecadaram alimentos e foram preparadas várias cestas básicas, sorteadas entre as famílias carentes do bairro.
Parabéns a todos e todas que estiveram celebrando conosco, preparando assim a chegada do Messias. Muito obrigado às pessoas que colaboraram, celebrando, arrecadando brinquedos, preparando lanches, distribuindo brinquedos, animando e fazendo a festa da vida acontecer.

22 de dez. de 2011

É NATAL... NASCEU O SALVADOR!!


É tempo de alegria! No meio da “noite escura” do medo e da covardia, irrompe uma grande Luz; no meio do grande silêncio da injustiça, da impunidade, da opressão, da omissão e da luta pelo ter-poder, surge uma voz que não pode calar: é o Deus-Menino, que entre nós veio morar! Anunciam os anjos. A Ele acorrem os magos e, o “povo que estava nas trevas viu uma grande luz” e, todos entoam o grande hino de glória e de esperança: glória a Deus nos altos céus e paz na terra aos homens por Ele amados. Mas a voz da justiça e da verdade incomoda os soberbos e poderosos, assim , que não querem ver o novo acontecer, procuraram e procuram abafar esta voz, que traz a esperança e a paz, a libertação e a vida.
Porém, a vida venceu a morte, a verdade venceu a mentira, a esperança e a coragem de lutar venceram a indiferença e o medo. Ó que grande mistério, de amor e solidariedade! 'Sendo Deus, se fez criatura humana, para que a criatura humana fosse divinizada'! A Ele que revela o sentido da nossa existência, ao Senhor da vida, da esperança, da justiça e da paz, o nosso louvor e a nossa adoração.
Ao Deus-Menino, que era, que é, e que vem, unamos os nossos sentimentos, palavras e ações, formemos a grande ciranda da vida. No seu centro coloquemos a família que trouxe ao mundo a Vida e a Esperança: JESUS, Maria e José, coloquemos ainda, o nosso desejo e o nosso compromisso de juntos, na ciranda da vida, de corações e mãos unidas, lutar para fazer nascer o mundo novo entre nós, de paz, amor, fraternidade e solidariedade, para que todos nós ao clarear de um novo dia 'vejamos nesta terra reinar a liberdade'!
Neste Natal Senhor, quero armar uma árvore dentro do meu coração, e nela em vez de presentes, quero pendurar os nomes de todos os meus amigos: os amigos de perto e de longe, os antigos e os recentes, os que vejo a cada dia e os que raramente encontro, os constantes e os intermitentes.
Uma árvore de raízes profundas para que seus nomes nunca sejam arrancados do meu coração; os ramos muito extensos para que novos nomes, vindos de todas as partes, venham se juntar aos existentes; que esta árvore, Senhor, tenha sombra muito agradável para que nossa amizade seja um momento de repouso nas lutas da vida.
Gritemos a todos a grande notícia: Jesus Nasceu!!! Este é o melhor e mais sublime presente de Natal que podemos dar aos nossos irmãos e irmãs. Que o Espírito Natalino invada todos os lares e principalmente o nosso, para que você e toda a sua família vivam a concórdia do amor divino! Assim seja!!!
A você, que foi muito importante na minha vida, durante todo este ano, estará sempre em minhas orações! A você, os meus sinceros votos de um Feliz e Santo Natal!!!
 
Pe. Izidorio Batista de Alencar
Administrador Paroquial da Paróquia Nossa Senhora da Conceição
Cabrobó-PE

8 de set. de 2011

DÍZIMO: PARA QUE SERVE?

A palavra dízimo quer dizer décima parte! De cada cem coisas, eu separo e reservo ao Senhor dez. De cada dez sacos de colheita e de cada cem cabeças de gado, reservo dez para Deus, isto porque a décima parte de tudo que tenho, ganho ou possuo é consagrada a Ele. Ele mesmo, o Senhor é o dono! Minha vida e tudo que tenho a Ele pertencem.
Este é o fundamento bíblico do dízimo, porém, a Igreja católica no Brasil, vendo a necessidade de auto-sustentação da própria comunidade e grande carência dos irmãos e irmãs mais pobres; pede que cada um(a) dê conforme o seu coração, não impondo, não obrigando pois dízimo não é pagamento. Contudo, fazendo um profundo exame de consciência devemos nos questionar se estamos sendo fiéis ao Senhor, uma vez que a décima parte do que “temos” possui a Deus, será que estamos sendo fiel a Ele, devolvendo-lhe o que lhe pertence?
Dízimo não é pagamento. Não é imposto. Não é taxa! Dízimo é gesto livre de gratidão. É sinal de amor a Deus e aos irmãos(ãs). Não é esmola porque Deus não é mendigo. Nem é oferta. Dízimo é ato de fé em Deus e de confiança na comunidade. Dízimo é gesto de cristão maduro na fé e responsável pela vida da sua comunidade.
Se alguém lhe perguntar para que serve o dízimo diga: serve para a Igreja, nossa casa de oração, onde os irmãos(ãs) celebram sua fé em Jesus Cristo, onde nós batizamos nossos filhos e netos, onde nós recebemos a formação necessária para o amadurecimento da nossa fé cristã católica, onde todos fazem a experiência de Jesus Cristo por meio da catequese, etc.
Na Igreja você reza, agradece a Deus, manda celebrar missas de ação de graças, de aniversário natalício e de comemoração dos momentos importantes da sua vida e da sua família, nela você reza pelos seus entes queridos que já partiram. Ela é casa do cristão(ã) católica(a), seja na comunidade, seja na paróquia. A Igreja é a morada de Deus entre os homens e as mulheres, nela Ele fala ao seu povo, convida a aliança com Ele, alimenta por meio da Palavra e da Eucaristia, derramando abundantemente suas graças por meio dos sacramentos.
A Igreja é nossa casa e tem também suas despesas mensais: manutenção do Templo, da casa paroquial, onde reside o padre para atender as comunidades, o carro da nossa paróquia, os funcionários que prestam serviço à paróquia, a contribuição do padre, pelo seu trabalho, água, luz, telefone, material de formação, encontros de formação na paróquia e na diocese, manutenção e material de secretaria paroquial, etc.
Sendo assim, você que é católico e ama a sua Igreja, e quer vê-la funcionando bem, contribua com o dízimo, mas faço-o com alegria e tenha certeza que as benção divinas não lhe faltarão.
Pe. Izidorio Batista de Alencar
Administrador Paroquial

7 de set. de 2011

DIA DA PÁTRIA!

                 Chegamos ao dia 07 de Setembro, Dia da Pátria, vamos celebrar ou protestar(1)?
                 Para chegarmos a uma possível resposta a esta tão simples questão, mas de grande inquietação para todo “ser humano”, isto é, inquietação para aquelas pessoas que têm uma sensibilidade à questão da justiça social e, acima de tudo, para aquelas pessoas que têm um senso de dignidade humana. Partiremos de um princípio essencialmente lógico-fundamental, o qual deveria ser fundamento insubstituível para qualquer reflexão da situação em que vive cada ser humano. Este princípio é a própria pessoa humana na sua condição de criatura, criada à imagem e semelhança de Deus, ou melhor, imagem e semelhança da Trindade.
O termo “pessoa humana” na própria etimologia quer dizer: indivíduo de natureza racional, portador de potencialidades que se desenvolvem através da vida, no seio da família e da comunidade-sociedade. Como indivíduo, a pessoa humana apresenta duas características fundamentais:
01 – ela é distinta de todos os outros animais, isto é, constitui uma totalidade em si mesma;
02 – ela é uma unidade, que não pode ser dividida sem perecer. Compõe-se de alma e corpo, espírito e matéria, que nela formam uma unidade substancial, cuja ruptura é a morte.
É um ser absolutamente original na escala dos seres existentes no universo, embora nasça, cresça e se desenvolva, como todos os seres vivos, sendo dotado de sentidos análogos aos dos animais irracionais. A pessoa humana é um ser consciente, racional e, por isso mesmo, é também um “ser social”, que só na companhia de seus semelhantes encontra as condições necessárias para o desenvolvimento de sua consciência, racionalidade e liberdade. E precisamente, por compreender estas capacidades em seu ser, possui direitos inalienáveis.
É uma dignidade absoluta porque não depende de nenhuma qualificação, nem se baseia no mero fato de se tratar de uma pessoa humana, dignidade que lhe confere valor inestimável e a coloca como razão de ser de todas as instituições sociais, políticas e econômicas. Por isso, não há nenhuma forma de opressão por parte das instituições que possa ser justificável diante do primado da pessoa humana.
A bem da verdade, o homem e a mulher de hoje não têm os seus direitos respeitados por parte dos representantes políticos, uma vez que estes, querem manter os membros da comunidade humana submissos a si, para lhes garantir o poder e explorá-los nas suas mais variadas formas.
É tão evidente este dado, que em pleno século XXI, encontramos candidatos que não têm o mínimo de senso cristão e mais, de senso ético, a ponto de comprarem seus eleitores por qualquer “besteira”.
Mais descarado ainda é ver estes déspotas incentivados por membros das igrejas ou, até mesmo, por “líderes religiosos”, formadores e continuadores do ideal de justiça e soberania proposto por Cristo. E aqui digo “líderes religiosos”, porque não fazem jus para que se entregue a eles o termo simbólico e tão rico em significado: “Pastor”, pois é inconcebível, aqui e em qualquer lugar do planeta, que uma pessoa (pastor) de bom senso iria entregar seu rebanho às garras de lobos ferozes que querem apenas derrotá-lo e explorá-lo.
O cenário brasileiro é composto de uma imensa multidão de sobreviventes da grande tribulação a que historicamente foi submetida. Desde a sua invasão pelos portugueses, em 1500, até os dias de hoje, o Brasil sobrevive a diferentes pólos de dependência e dominação.
Primeiramente, de Portugal e Espanha, depois, no século XIX, da Inglaterra e, hoje, do capital mundial hegemonizado pelos Estados Unidos. Esta dependência é econômica, política, ideológica, religiosa, e constitui a causa principal (não exclusiva) do subdesenvolvimento e da opressão que molestiza a grande maioria dos brasileiros.
Nunca houve no Brasil uma revolução que transformasse radicalmente as relações sociais de dominação para relações de maior participação e mais justiça.
As classes dominantes sempre detiveram a sua dominação e mantiveram o povo atrelado ao seu projeto de acumulação, projeto este associado ao outro canibal projeto de exclusão. A conseqüência desta dependência e dominação é o enorme sofrimento do povo que, como nos diz o grande historiador mulato, Capistrano de Abreu, “Foi sempre sangrado e ressangrando, capado e recapado”. Todas as suas revoltas foram massacradas com extrema violência, o que torna ideológica, falsa e, mais ainda, mentirosa a visão propagada pela classe dominante de que o homem e a mulher brasileiros são, sobretudo, “homem e mulher cordiais”.
As profundas mudanças ocorridas no mundo atingem todo ser humano. Por isso, nenhuma pessoa humana pode dá-se ao luxo de dizer “eu não posso fazer nada para mudar”. Tal afirmação é o fim de qualquer experiência humana. E mais desumana ainda é se sair da boca de um “cristão”, se é que podemos desvalorizar o termo “cristão”, aplicando a um sujeito de tal natureza.
Cada homem e cada mulher é convidado, ou melhor, se quiser ter dias de vida mais dignos, está intimado a manifestar-se diante desta tão perversa situação de miséria que vive a nação brasileira. Manifestar-se não só com palavras, mas sobretudo, com ações concretas. Para isso, este é um ano privilegiado, onde cada homem e cada mulher como verdadeiros cidadãos brasileiros, podem optar e manifestar seu verdadeiro comprometimento com a pátria que tanto amam, que não estão satisfeitos com uma política burguesa e de crápulas altamente demagogos, sem um mínimo de senso de humanidade.
O sistema social vigente, “neoliberalismo” é, indubitavelmente, perverso e massacrante. É um verdadeiro canibalismo da dignidade humana. Em um sistema canibal como esse, o homem e a mulher não são vistos como sujeitos, mas sim como produto de exploração, no qual não há princípios éticos, morais e religiosos que valorizem a dignidade humana.
Atualmente há uma grande luta pela sobrevivência, porém, como isto é possível em um país que tem aproximadamente sete milhões de pessoas desempregadas? Resta, pois, para o homem e a mulher tentar “garantir sua sobrevivência” a força do trabalho.
Diante disso, o homem vê-se obrigado a vender sua força de trabalho e tornar-se um objeto de exploração, isto é, o homem e a mulher para tentar sobreviver são obrigados a venderem seu próprio corpo, ou seja, prostituir-se. E com isto, o país torna-se um país de prostitutos e prostitutas.
Mais do que justo é, indispensável para um cristão, fazer uma reflexão de um problema tão humano como este, a não ser em uma perspectiva eclesial-cristã e, que tenha seu fundamento último na criatura, mas humana, Jesus Cristo, que foi capaz de desafiar as estruturas e sistemas desumanos de seu tempo e lutar por uma vida digna para todos. Como Ele mesmo afirmou: “Eu vim para que todos tenham vida e, a tenham em abundância” (João 10, 10).
Com isto fica claro e evidente qual deve ser a missão de Igreja hoje. Sendo esta dar respostas cabíveis aos anseios do homem e da mulher modernos.
Não deve ser ela uma Igreja preocupada apenas com o homem e a mulher espiritual, mas sim com o homem e a mulher na sua completude, uma vez que a ruptura do ser humano é a própria morte, conforme vimos acima.
Não quero com esta argumentação dizer que ela deva abandonar a fé, mas sim que à luz da fé e da Palavra de Deus ela busque restaurar a dignidade humana perdida, de tantos homens e mulheres que são explorados e excluídos de qualquer participação na vida pública. Restando-lhes apenas a obrigação de viver sem direitos e, submissos a sistemas perversos impostos a eles.
A Igreja não deve levar o homem e a mulher a buscarem o sentido espiritual se este mesmo homem e esta mesma mulher são desafiados e ameaçados diante de tantas catástrofes humanas.
Como pode este homem e esta mulher rezarem de consciência tranqüila, com tanto louvor, êxtase e estado de gozo com milhares de irmãos e irmãs sem trabalho, comida, estudo e casa para morarem, como também sem terra para produzirem o seu próprio sustento? Não seria uma Igreja que se comporta assim uma forma injusta de tentar manter o povo alienado de seus problemas e, dopado sem direito de enxergar a olho nú a real situação de miséria que vive?
Seria usar o mesmo sistema que usa a classe dominante atual, “Pão e circo”, isto é, “Futebol e carnaval” para todos. Sedativos perfeitos, completos para que não se desperte estes “filhos teus que não fogem da luta”.
O mundo avançou em uma enorme progressividade, este é um dado óbvio e, infelizmente, a Igreja não tem evoluído o necessário para acompanhar a evolução humana, ficando, contudo, a mercê das realidades sociais.
“O mundo moderno é, ao mesmo tempo, poderoso e fraco, capaz do melhor e do pior, colocado em face da liberdade e da escravidão, do progresso e da involução, da fraternidade e do ódio. O ser humano tem consciência de que lhe compete orientar as forças que ele mesmo suscitou, mas que o podem oprimir da mesma forma que servir. Por isso, questiona-se” (Gaudium et Spes, 09).
De modo lamentável, o mundo moderno vive uma grande dicotomia, de um lado os grandes avanços tecnológicos, medicinais, etc., de outro milhões de seres humanos morrem de fome, vítimas de um sistema opressor e escravizador.
Diante de tudo isto, podemos ver que motivos para celebrar há sim, sem dúvida, celebrar a coragem de tantos irmãos e irmãs que organizando-se em sindicatos, associações, pequenas comunidades foram capazes de lutar em defesa da terra, água, teto, justiça, e acima de tudo, lutar em defesa da vida, frente a um sistema dominante e desumano. Nas várias áreas onde esses grupos têm atuado existem militantes que foram e são ainda perseguidos, e em muitos casos assassinados. São os verdadeiros mártires da causa dos oprimidos, do direito dos pobres.
Entre tantos e tantas, e no lugar de todos os caídos, citamos com reverência alguns nomes: a líder rural Margarida Maria Alves, o índio Marçal, o operário Santos Dias, a religiosa Irmã Adelaide, o missionário Ezequiel Ramin, o coordenador da Pastoral da Terra de Imperatriz (MA), Pe. Josimo Tavares, o índio Bororó, o Pe. Henrique do Recife, Pe. José Maria, o Vaqueiro Raimundo Jacó, Dom Oscar Romero, Pe. Rutilio Grande, o Pe. João Bosco Benido, Xico Mendes, o seringueiro Zé do Acre, o sindicalista Fulgêncio, os mártires de Eldorado dos Carajás e Cesi Cunha.
Celebrar sim, porém, sem cair no saudosismo. 07 de Setembro, acima de tudo, é um dia privilegiado, celebra-se, protesta-se, reivindica-se e manifesta a cara que se vive o Brasil – insatisfação diante de situações desumanas e injustas em que são mergulhados homens e mulheres brasileiros...
Independência ou Dependência???


[1] - O presente texto foi escrito na véspera do dia 07 de Setembro de 2002, Dia da Pátria, Dia do Grito dos Excluídos. Neste mesmo mês, foi publicada uma síntese deste artigo, no jornal Folha do Seminário, órgão interno de comunicação e de responsabilidade do Seminário Provincial de Alagoas, no qual eu habitava neste período. Na ocasião da publicação de parte deste artigo, houve por parte do vice-reitor do referido seminário, uma repressão ao companheiro seminarista que era responsável pelo informativo, ameaçado-o de caso uma outra matéria de tal “caráter” viesse a ser publicada sem a devida autorização dele o seminarista seria excluído da equipe responsável pelo jornal. Sua atitude devia-se, unicamente, ao fato de que eu questionava se era moralmente licito, justo e evangélico, líderes religiosos (padres) apoiarem e defenderem a candidatura de certos políticos.

29 de ago. de 2011

PARÓQUIA DE CABROBÓ-PE, REALIZA ASSEMBLEIA DE PASTORAL

EDITAL DE CONVOCAÇÃO Nº 002/2011

O Administrador Paroquial da Paróquia Nossa Senhora da Conceição, cidade de Cabrobó, Pernambuco, Padre Izidorio Batista de Alencar, no uso das atribuições que lhe confere o Direito Canônico e Eclesiástico e as Orientações Pastorais da Diocese de Salgueiro, resolve:


Artigo 1º: Convocar dois representantes de cada Pastoral, Movimento, Serviço ou Comunidade Rural e Urbana, para participarem da 1ª Assembleia Ordinária de Pastoral da Paróquia Nossa Senhora da Conceição – Cabrobó – PE.

Artigo 2º: Convidar qualquer fiel católico (a) que se sentir motivado (a) a participar da 1ª Assembleia Ordinária de Pastoral da Paróquia Nossa Senhora da Conceição – Cabrobó - PE.

Parágrafo 1: A 1ª Assembleia Ordinária de Pastoral terá, simultaneamente, poder deliberativo (caráter de decisão) e caráter consultivo (ouvir o parecer de seus participantes) de assessoramento do Administrador Paroquial. Realizar-se-á no Centro Pastoral da Igreja Matriz, situado no bairro da Beira Rio, ao lado da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, Cabrobó – PE, nos dias 16, 17 e 18 de setembro de 2011, com início em primeira e única convocação às 18h00min do dia 16, com a presença de qualquer quantidade dos membros das Pastorais, Movimentos, Serviços e Comunidades Rurais e Urbanas, convocados conforme dispõe o artigo 1º. Às 22h00min. se fará uma pausa para repouso e retomará às 08h00 da manhã do dia seguinte e se estenderá até 13h00min, do domingo dia 18 de setembro de 2011.

Parágrafo 2: A organização e normatização da 1ª Assembleia Ordinária de Pastoral será feita por meio de Regimento Interno (regras que orientarão os trabalhos) a ser discutido e aprovado por maioria simples (metade mais um dos participantes) no início dos trabalhos.

Artigo 3º: A 1ª Assembleia Ordinária de Pastoral será precedida de um amplo processo de avaliação a ser realizado em todas as comunidades.

Parágrafo Único: A avaliação será realizada pelas lideranças da própria comunidade e, em casos necessários será auxiliada por algum dos membros da Comissão Preparatória da 1ª. Assembleia Ordinária de Pastoral, onde será aplicado um questionário padrão do qual resultará um relatório a ser analisado durante a 1ª Assembléia Ordinária de Pastoral.

Artigo 4º: A 1ª Assembleia Ordinária de Pastoral: avaliará a caminhada Pastoral Paroquial; aprofundará o tema Paróquia: Uma rede de comunidades, Casa de Deus e de Irmãos(ãs) a serviço da vida; elegerá as prioridades pastorais para o ano de 2012; preparará a elaboração do Plano de Evangelização da Paróquia; e, programará as atividades para o(s) ano(s) seguinte(s).

Parágrafo Único: A hospedagem dos membros das comunidades rurais será nas casas das famílias da cidade de Cabrobó, mediante inscrição antecipada!

Artigo 5º: Registre-se, publique-se, cumpra-se.

Cabrobó - PE, 15 de agosto de 2011.

__________________________________________________
Padre Izidorio Batista de Alencar
Administrador Paroquial

28 de ago. de 2011

CATEQUISTA: SINAL DE DEUS NO MUNDO!

CATEQUISTA! Você é você. Você é missão, responsabilidade, humanismo, solidariedade. Você é um caminhar constante, irá sempre ao encontro. O CATEQUISTA não espera, ele vai! Vai sem saber o que encontrar. Isto não importa. O importante é você ser dotado de paciência, de coragem e, sobretudo com a vontade de compreender. O CATEQUISTA vai! Por que vai? Porque sempre tem e terá alguém esperando. CATEQUIZAR é aproximar, ouvir e estar junto, participar é sofrer e alegrar com alguém ou para alguém. Este alguém pode ser, a criança, o adulto, o velho, o enfermo, o menor carente ou uma pessoa que necessita de nossa atenção. CATEQUISTA é aquele que vê no próximo um ser com possibilidades de ser transformado. Não é fazê-lo à nossa semelhança, mas sim avaliar suas potencialidades e deduzir até onde aproveitá-las. Ser CATEQUISTA é sentir-se responsável por uma Igreja sinal de Deus Amor, Pai e Mãe, esperança dos aflitos e sofredores. Ser CATEQUISTA não significa você ser o sábio, mas requer coração forte, vontade firme. O CATEQUISTA não desiste! A derrota de hoje, pode estar na vitória do amanhã. Acreditamos que na função missionária de catequizar, é ter também a capacidade mental de experimentar, muitas vezes a derrota. Pelo fato, segundo nossa avaliação a sensação de nada ter conseguido! Então a resposta para si mesmo é: MISSAO CUMPRIDA. Repetir com convicção : Vou continuar! É preciso fundamentar essa vocação com a leitura da Palavra de Deus, aprendendo dos simples, ter olhos abertos, atentos á realidade; ter coração humano, fraterno, é ser continuador de Cristo entre os humilhados. Vamos ser catequistas renovados, inculturados, sem medo, profetas. Criem pistas de saída; procurem fontes abastecedoras; planejem caminhadas, participem da comunidade. Valorizem-se! Estimulem-se! Unam-se catequistas de nossa cidade. Chegou a hora da catequese viva, eficaz, transformadora. CATEQUISTA valorize a sua hora, é a hora dos profetas. não se cale. não deixe a palavra de Deus morrer afogada no poço do medo. Seja profeta, porta-voz do Deus- Amor. A Igreja está com você!      
                                                                                                                
Parabéns pelo seu dia, 28 de agosto de 2011!
Deus deja louvado por todos(as) os(as) catequistas!
Pe. Izidorio Batista de Alencar

26 de jun. de 2011

FAZENDO VALER NOSSA NORDESTINIDADE!

Há alguns dias atrás li um artigo sobre os novos padres, chamado de Santa Ignorância. Não deixando de reconhecer suas verdades e uma parcela de barbaridades, de alguns deles, entre os quais destacam-se os que se expõem demasiadamente nos meios de comunicação, não posso deixar também de reconhecer que o presente artigo trás um forte resquício de preconceito para com os jovens padres filhos da zona rural, das periferias e estudantes das escolas públicas:http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI134761-15223,00.html.
Posteriormente, recebi também o texto da jornalista Sheila Raposo, nordestina e paraibana. Assim como ela, sinto orgulho de ser nordestino. Não me considero, menos inteligente, nem incapacitado na vida, como pessoa, cidadão e padre. Fui sempre estudante de escolas públicas e não me considero inferior aos jovens padres, filhos das metrópoles, das capitais e estudantes das escolas privadas.Tenho os valores e a sabedoria, das letras e dos livros, mas também tenho os valores e a sabedoria da minha gente nordestina, que caminha a pé em romaria ao juazeiro do meu padim Ciço, da mãe das Dores, do padre Ibiapina, frei Damião e dom Hélder Câmara; que faz procissão com São José pedindo "água com bonança, meu divino São José"; que dança foró e faz quadrilha junina, São Gonçalo e vaquejada e, na voz do rei do baião sabe cantar "lá no meu pé de serra deixei ficar meu coração", embalado nesta música e nesta cultura de nordestino, matuto da roça e do mato digo: lá na minha roça deixei ficar meu coração. Segue abaixo o texto na íntegra de Sheila Raposo. A ela meus parabéns!!!

VERGONHA QUE NÃO TENHO DE SER NORDESTINA
Sheila Raposo - Jornalista

Cultivado entre os cascalhos do chão seco e as cercas de aveloz que se perdem no horizonte, cresceu, forte e robusto, o meu orgulho de pertencer a esse pedaço de terra chamado Nordeste.Sou nordestina. Nasci e me criei no coração do Cariri paraibano, correndo de boi brabo, brincando com boneca de pano, comendo goiaba do pé e despertando com o primeiro canto do galo para, ainda com os olhos tapados de remela, desabar pro curral e esperar pacientemente, o vaqueiro encher o meu copo de leite, morninho e espumante, direto das tetas da vaca para o meu bucho.Sou nordestina. Falo oxente, vôte e danou-se. Vige, credo, Jesus-Maria e José! Proseio com minha língua ligeira, que engole silabas e atropela a ortoépia das palavras. O meu falar é o mais fiel retrato. Os amigos acham até engraçado e dizem sempre que eu “saí do mato, mas o mato não saiu de mim”. Não saiu mesmo! E olhe: acho que não vai sair é nunca!Sou nordestina. Lambo os beiços quando me deparo com uma mesa farta, atarracada de comida. Pirão, arroz-de-festa, galinha de capoeira, feijão de arranca com toucinho, buchada, carne de sol... E mais uma ruma de comida boa, daquela que, quando a gente termina de engolir, o suor já está pingando pelos quatro cantos. E depois ainda me sirvo de um bom pedaço de rapadura ou uma cumbuca de doce de mamão, que é pra adoçar a língua. E no outro dia, de manhãzinha, me esbaldo na coalhada, no cuscuz, na tapioca, no queijo de coalho, no bolo de mandioca, na tigela de umbuzada, na orêa de pau com café torrado em casa!Sou nordestina. Choro quando escuto a voz de Luiz Gonzaga ecoar no teatro de minhas memórias. De suas músicas guardo as mais belas recordações. As paisagens, os bichos, os personagens, a fé e a indignação com que ele costurava as suas cantigas e que também são minhas. Também estavam (e estão) presentes em todos os meus momentos, pois foi em sua obra que se firmou a minha identidade cultural.Sou nordestina. Me emociono quando assisto a uma procissão e observo aqueles rostos sofridos, curtidos de sol do meu povo. Tudo é belo neste ritual. A ladainha, o cheiro de incenso. Os pés descalços, o véu sobre a cabeça, o terço entre os dedos. O som dos sinos repicando na torre da igreja. A grandeza de uma fé que não se abala.Sou nordestina. Gosto de me lascar numa farra boa, ao som do xote ou do baião. Sacolejo e me pergunto: pra quê mais instrumento nesse grupo além da sanfona, do triangulo e da zabumba? No máximo, um pandeiro ou uma rabeca. Mas dançar ao som desse trio é bom demais. E fico nesse rela-bucho até o dia amanhecer, sem ver o tempo passar e tampouco sentir os quartos se arriando, as canelas se tremelicando, o espinhaço se quebrando e os pés se queimando em brasa. Ô negócio bom!Sou nordestina. Admiro e me emociono com a minha arte, com o improviso do poeta popular, com a beleza da banda de pífanos, com o colorido do pastoril, com a pegada forte do côco-de-roda, com a alegria da quadrilha junina. O artista nordestino é um herói, e nos cordéis do tempo se registra a sua história.Sou nordestina. E não existe música mais bonita para meus ouvidos do que a tocada por São Pedro, quando ele se invoca e mete a mãozona nas zabumbas lá do céu, fazendo uma trovoada bonita que se alastra pelo Sertão, clareando o mundo e inundando de esperança o coração do matuto. A chuva é bendita.Sou nordestina. Sou apaixonada pela minha terra, pela minha cultura, pelos meus costumes, pela minha arte, pela minha gente. Só não sou apaixonada por uma pequena parcela dessa mesma gente que se enche de poderes e promete resolver os problemas de seu povo, mentindo, enganando, ludibriando, apostando no analfabetismo de quem lhe pôs no poder, tirando proveito da seca e da miséria para continuar enchendo os próprios bolsos de dinheiro.Mas, apesar de tudo, eu ainda sou nordestina, e tenho orgulho disso. Não me envergonho da minha história, não disfarço o meu sotaque, não escondo as minhas origens. Eu sou tudo o que escrevi, sou a dor e a alegria dessa terra. E tenho pena, muita pena, dos tantos nordestinos que vejo por aí, imitando chiados e fechando vogais, envergonhados de sua nordestinidade. Para eles, ofereço estas linhas.